Taken for granted
One smile blooming at the corner of the lips
A walk fast under the rain, towards work
A breathe of springtime polen floating in the air
And a teardrop from eye irritation
Melting butter on a toast
And a smelly alley around the corner
The shadow of a skyscraper
And the deep green of the park trees
The sunlight at the end of the summer
And your arms, tight
The coldness of January
I take the ephemeral for eternal,
My unconscious self
Has been mislead.
M.S. 28-02-2009
Sunday, March 01, 2009
Thursday, January 03, 2008
Património
Um ano passado...e uns dias. O silêncio não perdoa mas não me votei a ele. Também não me auto-ostracizei (com hífen embora as modas ditem diferente). Voltei a mim sem deixar de ser eu. Um exercício de amalgamação.
Como é hábito as linhas acumulam-se aleatoriamente num qualquer pedaço de papel que a tinta falhou preencher. Estas sobre patrimónios e heranças. Numa viagem de comboio. Também um hábito.
Como é hábito as linhas acumulam-se aleatoriamente num qualquer pedaço de papel que a tinta falhou preencher. Estas sobre patrimónios e heranças. Numa viagem de comboio. Também um hábito.
Herança
Não há pudor.
Não há tacto, piedade que
Conceda espaço a
Uma casa branca caiada de cinzento
Com um azulejo mirando
Colmeias.
Não há tempo que se
Negoceie em prol desse quintal
Rude
E as paredes que se erguem são
De betão, barato,
Telhados de asbestos.
Não há pessoas nem aldeias.
Só o progresso, o capital.
E um sorriso cirúrgico
Impresso numa qualquer brochura
De um novo condomínio.
Cansam-me os contrastes.
M.S. 28-12-2007
Monday, December 25, 2006
"Weird for the sake of [being] weird." - Moe Szyslak
A syndrome of apathy
I crave the lights at extreme rates
Flashing in my pupils
As the gusts of wind
And rain, I am drained out of compassion
Consideration
I thrive in the arms of consternation
And high speed internet
I gaze obsessively at
The razing traffic and smirk
Wickedly when it jams
I pour another coffee and swallow it
Promptly
No time to savor it or getting burnt
And I dwindle and
Dwell semi-sane in
My post-modern haven
But the truth is
I don't know any other, no longer
M.S. 22-12-2006
I crave the lights at extreme rates
Flashing in my pupils
As the gusts of wind
And rain, I am drained out of compassion
Consideration
I thrive in the arms of consternation
And high speed internet
I gaze obsessively at
The razing traffic and smirk
Wickedly when it jams
I pour another coffee and swallow it
Promptly
No time to savor it or getting burnt
And I dwindle and
Dwell semi-sane in
My post-modern haven
But the truth is
I don't know any other, no longer
M.S. 22-12-2006
Friday, July 14, 2006
Caneta
Breu
É sempre um conto
O murmúrio do vento nos ramos
No resfolegar das folhas
É um constante relembrar
Da serenidade
Da existência indelével
Espreito pela noite iluminada
Fora da janela
E ouco narrações que
Volteiam nas arrecuas indecisas
Do zéfiro
Há promessas no vento do Estio
Há auroras a despontar
Depois do breu
E a esperança caminha placidamente
Em direcção a Nascente.
14-07-06
M.S.
É sempre um conto
O murmúrio do vento nos ramos
No resfolegar das folhas
É um constante relembrar
Da serenidade
Da existência indelével
Espreito pela noite iluminada
Fora da janela
E ouco narrações que
Volteiam nas arrecuas indecisas
Do zéfiro
Há promessas no vento do Estio
Há auroras a despontar
Depois do breu
E a esperança caminha placidamente
Em direcção a Nascente.
14-07-06
M.S.
Thursday, December 29, 2005
Relevação
Revelações
Há tramas de palavras
Nascidas em tempo ido
Que excretam para as águas em
Que se lavam
Todo o fel
Todas as toxinas aderentes
Numa sucessão de risadas
Se despejam
Ao soluçar de que cada frase.
São as verdades,
Que persigo
E que persistem.
Os espectros
Esses esfumam-se
Permanece a calma
E um silêncio fecundo.
29-12-05 M.S.
Há tramas de palavras
Nascidas em tempo ido
Que excretam para as águas em
Que se lavam
Todo o fel
Todas as toxinas aderentes
Numa sucessão de risadas
Filhas da conspícua Ironia
Escapam-se
Uma catarse de lágrimas que,
Em golfadas, Se despejam
Ao soluçar de que cada frase.
São as verdades,
Que persigo
E que persistem.
Os espectros
Esses esfumam-se
Permanece a calma
E um silêncio fecundo.
29-12-05 M.S.
Monday, November 07, 2005
A Saudade, ao longe
Para a minha terra que sabe a florestas encharcadas, a queijo da serra e soa como os bombos e a bela voz da Isabel.
"A Terra
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada
Na criação! Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois... Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!"
Miguel Torga
"A Terra
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada
Na criação! Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois... Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!"
Miguel Torga
Tuesday, October 11, 2005
Ao passar do trem...
Bilhete de comboio
Fica ali mesmo
Por detrás daquelas árvores
Lá longe, lá ao fundo
Onde nasce o horizonte
Aí reside a essência de uma jornada feliz
De um mar de verde denso, sussurando
Nos seus aromas resinosos
é na palma da minha mão que
Guardo ciosamente calor
Nos meus olhos que transbordo
A luminosidade e os contrastes
E ressonando as vozes familiares
E por descobrir.
Fica além, nesse ponto, no infinito
Nesses semblantes compenetrados ou irrequietos
No cheiro metálico da linha férrea e do óleo diesel
No cheiro
Metálico
Da linha férrea e do óleo diesel.
Fica no vagar ronronando da carruagem
E eu despeço-me
Cordialmente para um dia voltar
E à passagem
Acenar a essa estação.
M.S.
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